domingo, 22 de janeiro de 2012

ROTARY FOI, É E SERÁ, O QUE OS ROTÁRIOS QUEREM QUE SEJA

Geroi-Brasil, por e-mail

Luis Alberto Gómez Araujo. EGD 2009/2010. Distrito 4270. Colômbia

“Pensaram os senhores alguma vez a respeito do que queremos os Rotários que seja Rotary, através de uma análise de introspecção que nos permita estudar quem somos da perspectiva dos documentos de Rotary International?

Realizando este exercício, encontrei que o literal a) da Segunda Secção do 5º artigo dos Estatutos do R.I., consagra de maneira precisa que para ser sócio activo de um Clube Rotário, precisa-se de ser uma pessoa que observe boa conduta e goze de sã reputação nos seus negócios, e profissão ou na comunidade, mas deverá além disso:

(1) Ser proprietário, sócio, funcionário de uma companhia ou gerente de uma profissão ou negócio digno e reconhecido; ou
(2) ocupar um posto importante, com funções executivas e autoridade discricionária, numa profissão ou negócio digno e reconhecido ou numa agência ou sucursal do mesmo; ou
(3) haver-se aposentado após exercer um cargo dos referidos nos parágrafos (1) e (2) deste inciso; ou
(4) ter demonstrado a sua consagração ao serviço e ao objectivo de Rotary através da sua participação pessoal em assuntos da comunidade, ou
(5) possuir a qualidade de ex-bolseiro da Fundação Rotária conforme o defina o Conselho Director.

Essa norma estatutária, e por fim de cumprimento obrigatório, deve ser a base para a escolha dos novos sócios que convidamos para os nossos clubes. Mas me pergunto: Estamo-lo fazendo?
Não será que grande parte da nossa problemática radica fundamentalmente em que nos temos afastados dos parâmetros que regem a nossa instituição?

Considero do ponto de vista hermenêutico, que a interpretação da norma corresponde a cada clube e seu conselho director. Por exemplo: Terá que dar alcance ao que significa “…ocupar um cargo importante, com funções executivas e autoridade discricionária numa profissão ou negócio digno e reconhecido…”, e esse deve ser trabalho do clube que convida, mas quem faz de padrinho tem a responsabilidade de que o seu afilhado encaixe dentro da norma atrás exposta.

Mas qual é o sentido da norma analisada? Poderia considerar-se uma norma caprichosa? É obvio que não. Considero que nessa norma se marca a diferença de liderança que aspira Rotary tenham todos e cada um dos sócios dos seus clubes. Rotary espera de cada um dos seus sócios uma liderança eficiente e efectiva frente à comunidade. Espera lideres com acesso a quem toma as decisões que afectam de maneira directa a quem habita nela. Se não for desta maneira, então me digam que diferença existe entre outras instituições de serviço e o nosso movimento? Somos o mesmo?

Não será que a nossa crise emana da concepção que temos de nós mesmos ao pensar que o nosso trabalho se limita a realizar obras de benefício social, ou a ser entidades de beneficência dando de presente bens importantes que ajudam momentaneamente a certos sectores necessitados da comunidade, mas sem nos atrevermos a apresentar projectos de verdadeiro impacto social?

Rotary será e estará sempre à altura dos sonhos de quem a conforma. Se tivermos rotários que não sonhem, ou os seus sonhos compreendam somente pequenos projectos, seremos uma entidade sem sonhos, ou com sonhos e projectos de curto vôo. Se tivermos uns sócios com mentes amplas e sonhos elevados, que além disso são suficientemente executivos para imaginar como levar a cabo os mesmos, teremos uma entidade grande.

Somos conscientes de que cada zona do mundo tem o seu entorno particular, e não podemos aspirar a contar com sócios com a capacidade económica das zonas mais ricas do mundo. Mas é que o assunto não é somente de capacidade económica, mesmo que desta se necessite um mínimo para pertencer à instituição, de tal maneira que lhe permita não só cumprir com as suas obrigações para com a mesma, mas também para assistir aos eventos que organiza, propende e impulsiona R.I. Se tivermos sócios sem capacidade para assistir sequer aos eventos distritais, é muito difícil que se possam adiantar grandes projectos que tracem alternativas aos grandes problemas da comunidade aos quais se obriga o respectivo clube.

Não podemos continuar concebendo e planeando Rotary da perspectiva de que os sócios não têm capacidade para apoiar os planos que se traçam na instituição. Não falo é obvio de exigir grandes distribuições de bens económicos que saiam dos bolsos dos próprios sócios, mas sim falo de que contem com a capacidade de gestão para conseguir os recursos que se necessitem, porque têm acesso a quem dispõe desses recursos com uma chamada deles. Falo de sócios que tenham a suficiente capacidade de convocatória para serem atendidos pelos que dirigem as nossas comunidades a nível local ou nacional. Falo além disso de sócios que possam assistir às Conferências e às Assembleias Distritais que se organizem, assim como aos seminários de capacitação. Sócios que tenham a possibilidade de assistir aos Institutos zonais. Não a todos os eventos, mas sim ao que escolham assistir pelo menos uma vez ao ano, tanto nacional como internacionalmente.

E que fazemos com os clubes Rotários de zonas marginadas, ou populações de escassos ganhos? Pois aos que já existam há que apoiá-los para levar adiante o seu projecto, mas incentivando-os para que participem nos eventos atrás mencionados até onde as suas possibilidades o permitam, mas fazendo força para que assistam pelo menos aos eventos Distritais, já que fomentar o contrário seria tanto como criar uma discriminação ou escala entre clubes, que não deve existir, ou o que é pior, deixar que se isolem do resto dos clubes do Distrito. Mas também devemos ser conscientes de que se no sítio escolhido não se tem sócios com capacidade para constituir um clube Rotário, pois não devemos fazê-lo, já que mais cedo que o esperado se criará a problemática de ter criado clubes sem a capacidade mínima para confrontar as suas obrigações tanto para Rotary como para os seus respectivos Distritos, ou começamos a pedir excepções que desde já sabemos que R.I não aceita nem concede por quanto deve trabalhar com base no orçamento aprovado.

É possível que em muitos destes casos, a solução não seja a criação de um clube rotário, mas sim um Grupo de Rotary para fomento da comunidade. Vale a pena explorar esta possibilidade.

Sei que é um ponto sensível com o qual alguns companheiros se podem sentir ofendidos pela forma franca como se expôs este tema, mas é necessário olhar as coisas de frente para poder apresentar o debate com o fim de que resulte algo positivo para o nosso movimento, sobretudo naqueles países latino-americanos nos quais a capacidade económica do seu habitante médio não chega para sustentar um custo como o que implica ser sócio de um clube rotário na sua comunidade.

Reitero então que Rotary foi, é e será o que os Rotários queiram que seja. Cumpramos os estatutos. Escolhamos muito bem os nossos companheiros, mas sobretudo, TORNEMOS ATRACTIVOS OS NOSSOS CLUBES. Se o fizermos bem, tenham a certaza de que serão os bons membros da comunidade os que nos escolham, e dessa maneira teremos os melhores sócios rotários. Não aceitemos como dogma de fé que aos donos dos meios de produção não lhes interessa Rotary porque estão muito ocupados nos seus trabalhos e compromissos, ou o que é pior, porque não têm consciência social diferente da de formar as suas próprias fundações na busca de benefícios tributários. Analisemos mas bem, por que não somos atractivos a esse segmento social, que é ao que aspira Rotary de acordo com seus estatutos. Façamos os nossos clubes fortes e agradáveis e verão como as pessoas que nos interessam acabam nos buscando. Não é isso acaso o que denomina o nosso Curador José Antonio Salazar “O círculo virtuoso”?
Mas enquanto continuarmos pensando em pequeno, e convidando pessoas que não cumprem com o mandato estatutário do R.I. estaremos destinados não só a continuar empobrecendo-nos, e por fim a ser REDISTRITADOS uma e outra vez, mas além disso, estaremos condenados a ser cada vez menos importantes nas nossas comunidades. Se fizermos bem feito o exercício exposto nesta nota no interior de cada um dos nossos clubes, é possível que concluamos, sem muita surpresa, que Rotary na América Latina nos está devolvendo uma quimera que luta para que dêem um tratamento diferente ao resto do mundo, mas não porque não possamos dar mais do que viemos dando, mas sim porque não fomos capazes de entender e desenvolver a verdadeira filosofia de Rotary International. Se não começarmos a nos querer mais como movimento, se não consolidarmos os verdadeiros líderes das nossas comunidades na América Latina, muito certamente terminaremos como as estirpes condenadas a cem anos de solidão, das que fala o nosso prémio Nobel de literatura Gabriel García Márquez na sua obra máxima “Cem anos de Solidão”, sem uma segunda oportunidade sobre a terra. Somos nós, os Rotários, os que temos a palavra.”

Traduzido para português por
Adelino de Lima Martins
RC da Maia
DR 1970

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